06/07/2017

Relações



(1º comentário)
E então, da penumbra, surge a luz.
Bem próxima, sente-a. Quase toca. Luta consigo mesmo por um único toque. Perde. Mas ainda busca. Quer tocá-la, quer abraçá-la, quer aproximar-se, quer amá-la. Amando, lhe permite um toque.
Então, de um toque, surge à penumbra. Cabe-lhe persistir neste amor.

(2º comentário)
E então, no amor, surge a luz. Bem próxima, a sente. Duvida. Quase se afasta. Afasta-se. Roga pelo ódio, odeia, quase se mata... quase. Quase esquece. Esquece. Então, se enobrece ou se entristece. Lembra, e pensa no engano. Engana-se e... ama?
Na mais pura e maravilhosa utopia do ser humano.

(3º comentário)
E então, no engano, surge a luz, ou então, na mais pura e maravilhosa utopia do homem, surge a luz:
bem próxima, a sente, acredita, quase se convence...
Então, quase inexplicável quanto explicar o que inexiste, a luz se aproxima, o homem a sente... sente com o coração... sente-a com seu corpo... sente-a com seus pêlos... mas não sente, em momento algum, que não sente com amor.
- E então, o que torna o homem feliz neste instante?
- Justamente isto. Ainda não buscar o amor. Apenas o bem de si mesmo, para si mesmo.
- Então todos os homens são felizes neste instante apenas porque buscam apenas o bem em si mesmos?
- Sim.
- Justifique.
- O bem, o prazer, satisfaz. Por isso ainda vivem na penumbra.

1997, Acrópole Escola Filosófica - Curitiba-PR.
Indicado como referencia do livro VI: O Mito Da Caverna, da obra A República - Platão

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